quinta-feira, 18 de março de 2010

Melancólica

Fria manhã.
Não tão fria quanto os meus sentidos.
Também os seus gélidos olhos
não compreendem a imperceptível
melancolia da alma.
Se é que a tem.
Alma, espírito, corpo confundem-se
em meio à tristeza, doce amargura,
cancro indelével
e faz brotar do nada,
o nada.
E isso é tudo
que não pode fazer por mim
pois
suas mãos, braços, pernas, membros
são inúteis.

Julho de 1991

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