
Fujo de mim,
adiando invariavelmente
o meu encontro comigo:
não desvendando
as cruas verdades
que me invadem a alma,
dilacerando os grilhões
da angústia.
Ah!!! Se eu pudesse
me esconder em mim e
não viver esta impossibilidade
de possíveis consequências...
Não sentir este doce fel
presente da ausência.
O transbordar de tristezas,
águas bravias de mar revolto,
faz calar-me,
emudece o meu espírito
e o faz tão completamente
que já não sinto mais
dor e sofrimento,
pois esses
são todos eu.
Então,
meus olhos não choram
quando quase o fazem.
Recolhem as lágrimas
para dentro de mim...
Não choro
pela fragilidade do pranto,
Não choro
pelo tormento da vida.
O motivo
de gélidas recordações
não me deixam lastimar,
perder-me em lamúrias.
Sinto-me desesperança,
petrificada e nítida a
esvair-me forças e punhos.
Deixo-me ficar
tão sombriamente quieta que,
por infindáveis momentos,
esqueço-me viva
e só do meu âmago
os ecos me fazem desperta.
A enferma criatura
é causa latente do
mal que me alcança
e se bem o sabe
finge não ser.
Porém,
não reclamo intuito
ou razão:
assim estou só e
pertence a mim mesma
o claustro, a melancolia
do meu sentimento
platonicamente solitário
de bem querer.
Fevereiro de 1992
Foto de Igor Nazario
Nenhum comentário:
Postar um comentário