
Invade todos os porões.
Inunda crateras, superfícies
lunares, góticas, banais...
Mesmo sem nexo:
transborda-me
voluptuosa, calmamente.
Faze parte de mim.
E, se mesmo assim,
ficares tão só,
apesar,
do elo, anelo ou rima,
Vive-me.
Toma das minhas narinas
o teu ar.
Caminha sobre os meus pés.
Alimenta-te pela minha boca.
Os meus sentidos serão
os teus sentidos.
A minha vida será
a tua vida.
E, então,
Em cada centelha de ti,
estarei presente.
silenciosamente
pelo amor.
Agosto de 1991.
Foto de Igor Nazario
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