sexta-feira, 19 de março de 2010

Poetizando...


Que sejam vulgares as minhas palavras,
doce encantamento de sons.
Ressonâncias imperfeitas de vida
em vazio silêncio:
quebrantos de dor, bruscas emissões de ar.
Não que invadam mais que a mim.
São minhas, totalmente minhas,
tirana e sadicamente.
Não as concedo libertinas,
Nem as deixo ficar deliciosas
sob lábios retocados do mais
profundo deboche.
De tal modo, vingativas e torpes
profetizam existências,
profanam átrios, vidas e corpos.
Instigam a desvendá-las nuas
sem o casto pudor de virgem
em prostituta sedução.
Deleite.
Habitam-me em êxtase,
levianas e amorais.
Escárnio de múltiplos orgasmos.
Esgotando-se, enfim,
Boca e saliva,
Dente e língua...
Coito.


1991

Nenhum comentário:

Postar um comentário